quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Janela da (minha) vida



Palavras.
Atos.
E silêncio.
Distância.
Desconfiança.
 Pensamentos...
Um fantasma pessoal.
Mundo estranho...
Estranho o mundo...
Imundo.
Gente que não sente.
 Estranha gente...
Serpentes!
Coração fugaz.
Eu quero é paz...
Para dormir (sozinha).

domingo, 23 de outubro de 2016

Macau



Bravio sal que lava minha alma e afasta todo mal

Atrás de ti eu fui e tanta gente desterrei dos meus caminhos

Limpos e áridos

Terra salgada onde só pulsa o meu coração

Imune eu sou ao teu poder, óh grande sal

Sal do mal

Sal do sol

Sal dos meus amores

Admirada eu fico a te olhar

Brotando brando e branco, brilhoso em seu lar

Sal de Macau

Sal do Rio Grande deste norte do meu país

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Gueixa moderna



Não é pela beleza
Não é por paixão
Não é por amor
Tampouco tesão
É por sua presteza
Por pura submissão
Gueixa moderna
Submissa e externa
Se deixa usar
Sem compaixão.
Amor próprio não tem
Se tivesse não ficaria
Nem se entregaria
Sem limites ou segurança
A um homem que nenhuma esperança
Lhe dá no seu “bom dia”.
Seu cheiro não o agrada
Seu sorriso não o prende
Sua boca não o amarra
Sua pele ele nem sente
Mas acredita
Louca e descompassada
Que essa crise tão amarga
Em breve, deixará de ser presente.
Tão louca se encontra
Que vive de migalhas
Fecha os olhos e abafa
A dor e suas lágrimas
Nesta dura traição.
Lava e engoma
Arruma a casa
Paga as contas
Organiza as favas
Dessa vexatória situação.
Não tem mais vida
Mas tem o Homem
E não percebe, a humilhada
Que precisa é ser amada
Ter pra si um coração.
E não percebe, pobre coitada
E que a dignidade de uma mulher
É mais que ser amada
E não está no casamento
E sim no doce provento
Sem necessidade de conselho
Olhar-se no espelho 
 E amar tudo aquilo que ela é.

domingo, 18 de setembro de 2016

Um brinde ao sucesso!



 Declaro hoje a vitória dos meus algozes.
Ele, com violência;
Ela, com falsidade e resiliência;
A outra, com intrigas e perseguição.
Cada qual a seu modo,
Mantendo-se fiéis ao caráter que carregam,
Podem por fim desfrutar do amargo vinho da vaidade.
Tudo se acabou.
Desnudam-se de suas armas!
Despeçam-se dessas trincheiras!
Acabou! Inês é morta...
E morta também está essa guerra.
A batalha diária de vocês, soldados, recebe hoje os louros do triunfo.
Não há mais nada que perseguir.
Não há mais ninguém a vigiar.
Envaideçam-se de sua conquista!
O objetivo fora plenamente alcançado.
As lágrimas no meu rosto são champagne em seu pódio amaldiçoado.
Meu corpo em sangue arqueja quase sem vida.
Minhas forças volatizam com as ilusões que já não tenho.
Arrancaram meu coração
Expuseram-no em praça pública.
Cada qual a seu modo me destruiu pouco a pouco.
Comemorem!
Comemorem, meu algozes, vocês podem!
Brindem o sucesso de suas investidas!
Ele teve sua vingança.
Pode finalmente ver meu sangue se esvaindo pouco a pouco
Minha morte em agonia revitaliza seu viver.
Ela tem de volta a posse indubitável de seu troféu de ouro e esmeraldas
Desfila triunfante, exibe-o amorfo ao seu lado.
Seu posto de imperatriz continua intocado.
A outra, mesquinha e asquerosa,
Por que se envolveu nesta guerra?
O que importa?!
Importante é também comemorar!
Pois sua mão foi uma das que puxou o gatilho do meu fim.
Sorriam, afinal! Brindem! 
Vocês venceram!
O ódio venceu o amor.
A ganância venceu a paixão.
A ignorância venceu o perdão.
A brutalidade venceu a racionalidade.
A perversão venceu a prosperidade.
E assim morreu a minha esperança.
E assim morreu uma flor...

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Amor a la mexicana





A vida deles virou novela!
Daquelas bem trágicas,
Regada a dores, lágrimas e papelão.
Brigas faraônicas…
Dramalhão mexicano...

Bate boca no portão
Empurra-empurra
O homem vai embora
A mulher se joga à frente de carro
Pés descalços no asfalto
Lágrimas nos olhos
O homem desiste e volta
A mulher se atira ao chão
Mãos quentes que lhe resgatam
Um abraço
Na cama o descanso do cansaço
Ao amanhecer do dia
Acordam abraçados
E terminam novamente.

Lágrimas aparecem
A mulher o abraça
O homem a beija
Necessitam de uma solução
Mas não há esperanças
Para quê continuar?
O desfortúnio parece o único caminho
O homem promete sair de casa
A mulher diz que será ela quem irá
O homem porém implora que fique
A mulher não compreende
"Sem você não consigo mais viver"
O homem quer uma chance pra tentar se resolver
A mulher cede e lhe dá mais uma chance
Assim, o amor reina novamente.

Os passarinhos cantam
Uma música no violão
"Pra mim tu és a estrela mais linda"
Os olhos do homem se põem vermelhos
A mulher o abraça
Há amor nesses corações
O que não há é entendimento
E coragem.

Saem pra jantar
A mulher é tão decidida
O homem é tão acovardado
Outra briga se anuncia
A mulher vai embora pela direita
O homem vai embora pela esquerda
Com pouco, o homem regressa
Um pedido que o acompanhe
A mulher diz que não
O homem implora
A mulher uma vez mais cede
No caminho, mais briga
Em casa, silêncio
Na cama, amor.

No coração da mulher, só há o homem.
No coração do homem, só há a mulher.
Realmente, a vida deles virou novela!
Daquelas bem trágicas,
Regada a dores, lágrimas e papelão...

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Olimpo



Viver não é fácil... É preciso ter coragem para acordar, levantar e seguir em frente... 

Há tanto ódio, tanto rancor, tanto fel na alma dessas pessoas! 

O que querem? 

Que estranha alegria é essa que sentem diante do sofrimento alheio? 
Acaso se tornarão mais dignos diante das lágrimas do outro? 
Ficarão mais ricos, mais belos e mais desejáveis? 
Conquistarão melhores empregos, melhores salários, melhores famílias?
 Em que o desespero do outro lhes beneficia?

 Gente mesquinha.
Almas miseráveis!
Espíritos de lixo. 
Vermes asquerosos.

Por vocês só sinto nojo.
Não lhes posso conceder meu ódio, minha raiva ou meu rancor.
Eles são fervorosos, são verdadeiros. 
Sentimentos nobres em sua força.
Gente fétida merece o asco.
E o desprezo.

Crê que, por toda sua educação, está acima do bem e do mal?
Crê que por seu status já ascendeu ao olimpo dos deuses?
Crê que tê-lo em sua cama lhe fez a dona da vida dele?
Crê que sua covardia lhe tornará eternamente impune?
Crê que suas risadas não revelam sua tragédia?
Crê que nunca olharei dentro dos seus olhos?
Crê que nunca estaremos cara a cara nesta vida?

Vermes asquerosos.
Estou sentindo cheiro de pus.

domingo, 12 de junho de 2016

Saudade de você



Estou com tanta saudade de você, amor... 
Saudade da sua presença, dos seus mimos e cuidados...
Saudade do calor da sua mão quando me toca...
Saudade do carinho, dos seus braços e abraços... 
Saudade do cheiro do seu cabelo, dos seus pêlos e da sua pele... 
Saudade dos seus olhos da cor do mar e do seu sorriso apaixonante... 
Saudade da sua boca, dos doces beijos que me dedica... 
Saudade da sua voz e das coisas lindas que me diz... 
Saudade até mesmo dos seus silêncios e das tantas vezes que não dissemos nada um ao outro ao mesmo tempo que tanta coisa era dita... 
Saudade de ficar ao seu lado, de lhe ver, de lhe sentir ao meu lado...
Estou com saudade de você, amor... 
Definitivamente, estou com muita saudade de você!

domingo, 24 de abril de 2016

Coisas do ponto final...




Me sinto estranha.
Tantas vezes me pego a me questionar:
O que estou fazendo?
Mas não consigo evitar, não consigo mudar o curso de minhas escolhas.
Vejo o sofrimento dele. 
Vejo. Sinto. E me pergunto o que fazer...

Meu eu altruísta diz: console-o!
Conforme-se e abstenha-se dessas emoções.
Dê a ele o que lhe pede.
Esteja com ele, fique ao seu lado, conforte-o.
Altruísmo de coração.

Meu eu racional diz: voe, passarinho, voe!
Tu não controlas os sentimentos do outro…
O único poder que tens nesta vida é aquele sobre teus próprios sentimentos.
Que garantias tens que tua abnegação trará a ele a felicidade?
A única felicidade que podes garantir é a tua.

Meu eu altruísta replica: há de pagar caro pelo egoísmo que cultiva!
Nenhum sofrimento passa impune pelas regras dessa vida.
Console-o e conforme-se.
Os compromissos que você assumiu no passado não somem ao seu desejo…

Meu eu racional insiste: voe, passarinho, voe mais alto!
Descubra esse mundo de emoções que te foi negado!
Entrega-te aos prazeres que possas sentir!
E sinta-os com toda intensidade que tua intempestividade te permita.

Meu eu altruísta não cala: abnegue-se!
Faça suas as lágrimas do rosto dele.
Você é forte! Já conhece a fórmula do viver melhor.
Tantas vezes já morreu. Na mesma quantidade, reviveu. 

Meu eu racional não desiste: a vida é tão curta para ser desperdiçada…
Por que tu não tens o direito de ser apenas tu neste mundo?
Esqueça o futuro, ele não te pertence. Esqueça o passado, ele não pode ser modificado.
Pense no hoje, sinta o agora, feche teus olhos e deixa-te aos ventos do mar…

Tantas vozes.
Tantos sentimentos.
Apenas um caminho a seguir...

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Me apaixonei


 (...)
 Eu me apaixonei na mesma velocidade que o brilho do teu olhar tocou a minha pele alva
E me apaixonei porque percebi que aquele brilho era só meu
Um brilho único que facilmente denunciou teus pensamentos e intencionalidades
E que envolveu minha alma já encantada em teu doce ar de candura.
(...)
Me apaixonei pelo sorriso que me presenteaste
Um sorriso calmo como uma morna tarde de outono
Um sorriso límpido, cheio de carinho e certa malícia
A combinar com a luz do teu olhar esverdeado.
(...)
Eu me apaixonei pelas palavras que proferiste
As quais me conduziram a outras dimensões
Ainda que me mantivesse parada 
Estratificada no paraíso da tua companhia calorosa
E tão ardorosamente festejada em meu humilde coração de estudante.
(...)
Me apaixonei pela tua louca e linda trajetória
Pelos elementos que estão em ti e se assemelham a mim
Me apaixonei por esse amor diferente e transcendental que me inspiras
Que não é platônico, mas é lindo em sua magnitude. 
(...)