segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Amoroso Coração de Mãe


A obscuridade da tua presença me apavora
E teu rancor é tanto que resseca minha poesia
Olho em teus olhos e apenas vejo tua maldade
A irradiar chamas vivas em meu pensamento paralisado.

Teu ódio é cego, fustigante e ardoroso
Diante dele, sinto meu coração estupidamente humilhado
É como se tudo que acreditasse, de repente, se tornasse torpe
E na roda da existência perco tudo que de mais precioso tinha

Não sei o que fazer para me libertar deste teu regime
Posto que muito mais intenso que a força do teu braço
A guiar meus arreios feito um cavalo amestrado
É o peso da tua mão de ferro sobre a minha alma vulnerável...

sábado, 8 de outubro de 2011

Uma versão minha para Nobody In Home


Eu tenho um pequeno caderno rosa com meus segredos nele
Eu tenho um estojo com uma escova de dentes
E quando eu sou um bom cachorro, às vezes eles jogam um osso para mim

Eu tenho cadarços cinzas amarrando os meus sapatos
Eu tenho aquelas velhas mãos grandes
Tenho treze canais de merda na TV para escolher

Eu tenho luz elétrica
Eu tenho sexto sentido
Eu tenho um incrível poder de observação

E é isto o que eu sei
Quando tentei conversar ao telefone com você
E não havia ninguém em casa

Eu tenho o cabelo obrigatoriamente penteado
E as inevitáveis queimaduras de sol
Todas escondidas debaixo da minha roupa favorita

Eu tenho manchas de esmalte nas unhas
Eu tenho um anel de prata
Eu tenho um lindo violão para encostar meus restos mortais

Eu tenho olhos furiosos
E um forte desejo de voar
Mas eu não tenho aonde ir, voando.

Sim, meu amor! Quando eu peguei o telefone...
Ainda não havia ninguém em casa.

Eu tenho um par de All Star
E eu tenho raízes enfraquecidas…

Achei esse texto perdido em um backup velho e já esquecido. Escrevi isso em uma época negra da minha vida... Quando tudo parecia ser demasiado estranho. Quando nada parecia ter sentido. O amor não existia e as relações estavam ressecadas. O sol não conseguia mais esquentar esta alma esfriada pela sua própria existência insignificante.

Não sei até que ponto essas palavras (plagiadas da letra do Waters) ainda fazem (ou não) sentido para este "alguém eu" que escreve aqui hoje. Talvez por isso achei interessante (re)postar esse texto aqui... Como um registro de algo que já pensei e fui... Memória. Como algo que talvez ainda seja... Análise. Ou simplesmente como algo que não gostaria mais de ser... Alerta.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Discurso de paz...



Desculpem, mas não quero ser Imperador. Não entendo disto. Não quero governar nem conquistar ninguém. Gostaria de ajudar todo mundo, se possível. Judeus, nativos, pretos e brancos. Todos nós queremos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Queremos viver para a felicidade, não para a infelicidade. Não queremos odiar, desprezar uns aos outros. Neste mundo existe lugar para todos. A terra é rica e pode muito bem alimentar a todos.
Os caminhos da vida podem ser livres e lindos, mas nós perdemos este caminho. A ambição envenenou a alma dos homens; ergueu um mundo de ódio; nos atirou dentro da miséria e também do ódio.
Desenvolvemos a velocidade, mas nos fechamos em nós mesmos. As máquinas que trouxeram mudanças, nos deixaram desamparados. Nossos conhecimentos nos deixaram cínicos. Nossa inteligência, duros e impiedosos. Nós pensamos demais e sentimos muito pouco. Mais do que maquinaria, nós precisamos de humanidade. Mais do que inteligência, precisamos de bondade e compreensão. Sem estas qualidades, a vida será violenta e estaremos todos perdidos. 
O aeroplano e o rádio nos aproximaram uns dos outros. A própria natureza destes eventos demonstra a divindade do homem. Existe uma fraternidade universal para a unidade de todos nós. Mesmo agora, minha voz está chegando a milhões em todo o mundo. Vítimas do sistema que obriga o homem a torturar e aprisionar gente inocente. Para aqueles que podem me ouvir, eu digo: não se desesperem. A infelicidade que caiu sobre nós é conseqüência apenas da ambição, da angústia do homem que teme os caminhos do progresso humano. O ódio dos homens vai passar. Os ditadores morrerão e o poder que eles tiraram do povo retornará para o povo. E embora o homem morra, a liberdade jamais perecerá.
Soldados, não se entreguem a estes frutos!
Há homens que desprezam vocês, escravizam, governam suas vidas, dizem o que fazer, o que pensar, o que sentir; que lhes conduzem, ditam sua comida, lhes tratam como gado e como bucha de seus canhões. Não se dediquem a estes homens sobrenaturais! Homens-máquina, com máquinas no cérebro e no coração. Vocês não são máquinas, não são gado. Vocês são homens. Tenham amor pela humanidade em seus corações. Não odeiem! Só quem não é amado tem a capacidade de odiar.
Soldados, não lutem pela escravidão! Lutem pela liberdade!
No capítulo 17 de São Lucas está escrito “o Reino de Deus está dentro do homem”, não em um homem, nem em um grupo de homens, mas em todos os homens. E vocês do povo têm o poder. O poder de criar máquinas, o poder de criar felicidade. Vocês do povo têm o poder de fazer esta vida livre, linda e também de transformar esta vida numa maravilhosa aventura. Então, em nome da democracia, vamos usar este poder! Vamos todos nos unir, lutar por um novo mundo! Um mundo descente que dará ao homem a chance para trabalhar, que dará à juventude um futuro e uma velhice tranqüila.
Prometendo estas coisas, muitos têm subido ao poder. Mas eles mentem! Eles não cumpriram essas promessas. Jamais cumprirão! Os ditadores querem liberdade, mas eles escravizam o povo. Agora vamos lutar para que se cumpra esta promessa. Vamos lutar para libertar o mundo, para derrubar barreiras nacionais; derrubar a ambição, o ódio e a intolerância. Vamos lutar por um mundo sensato. Um mundo onde a ciência e o progresso levarão à felicidade de todos.
Soldados, em nome da democracia devemos nos unir!

Charles Chaplin, O Grande Ditador, 1940.