domingo, 23 de outubro de 2016

Macau



Bravio sal que lava minha alma e afasta todo mal

Atrás de ti eu fui e tanta gente desterrei dos meus caminhos

Limpos e áridos

Terra salgada onde só pulsa o meu coração

Imune eu sou ao teu poder, óh grande sal

Sal do mal

Sal do sol

Sal dos meus amores

Admirada eu fico a te olhar

Brotando brando e branco, brilhoso em seu lar

Sal de Macau

Sal do Rio Grande deste norte do meu país

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Gueixa moderna



Não é pela beleza
Não é por paixão
Não é por amor
Tampouco tesão
É por sua presteza
Por pura submissão
Gueixa moderna
Submissa e externa
Se deixa usar
Sem compaixão.
Amor próprio não tem
Se tivesse não ficaria
Nem se entregaria
Sem limites ou segurança
A um homem que nenhuma esperança
Lhe dá no seu “bom dia”.
Seu cheiro não o agrada
Seu sorriso não o prende
Sua boca não o amarra
Sua pele ele nem sente
Mas acredita
Louca e descompassada
Que essa crise tão amarga
Em breve, deixará de ser presente.
Tão louca se encontra
Que vive de migalhas
Fecha os olhos e abafa
A dor e suas lágrimas
Nesta dura traição.
Lava e engoma
Arruma a casa
Paga as contas
Organiza as favas
Dessa vexatória situação.
Não tem mais vida
Mas tem o Homem
E não percebe, a humilhada
Que precisa é ser amada
Ter pra si um coração.
E não percebe, pobre coitada
E que a dignidade de uma mulher
É mais que ser amada
E não está no casamento
E sim no doce provento
Sem necessidade de conselho
Olhar-se no espelho 
 E amar tudo aquilo que ela é.