domingo, 26 de junho de 2011

Despedida



Eu queria ser poeta, para traduzir em algo belo esse momento tão escuro.
Eu queria ser vento, para varrer dos corações a poeira cinza desta dor tão cruel.
Eu queria ser água capaz de lavar as almas e de se transformar em vapor ao tocar o chão árido desta terra quase inóspita. Vapor morno levado pelo ar para longe daqui, para algum lugar onde poderia voltar a ser simplesmente água. 
Água doce, água pura, água amiga, água.
Eu queria ser você, para escutar no teu lugar as palavras fatídicas que tenho que te dizer. Para que o coração partido fosse o meu e não o teu, porque me dói mais machucar-te a ferir-me.
Mas sou apenas eu. Sou apenas uma mulher (só)… sem poesia, sem beleza, sem malícia e sem cor. Mulher que precisa te dizer, ainda que não saiba como.
Então, nessas horas, talvez o melhor fosse não alongar para não sangrar ainda mais… O melhor talvez fosse apenas calar e te dizer "adeus!".