Eu queria ser poeta, para traduzir em algo belo esse momento tão escuro.
Eu queria ser vento, para varrer dos corações a poeira cinza desta dor tão cruel.
Eu queria ser água capaz de lavar as almas e de se transformar em vapor ao tocar o chão árido desta terra quase inóspita. Vapor morno levado pelo ar para longe daqui, para algum lugar onde poderia voltar a ser simplesmente água.
Água doce, água pura, água amiga, água.
Água doce, água pura, água amiga, água.
Eu queria ser você, para escutar no teu lugar as palavras fatídicas que tenho que te dizer. Para que o coração partido fosse o meu e não o teu, porque me dói mais machucar-te a ferir-me.
Mas sou apenas eu. Sou apenas uma mulher (só)… sem poesia, sem beleza, sem malícia e sem cor. Mulher que precisa te dizer, ainda que não saiba como.
Então, nessas horas, talvez o melhor fosse não alongar para não sangrar ainda mais… O melhor talvez fosse apenas calar e te dizer "adeus!".
