sábado, 17 de setembro de 2011

Declaração


Eu queria poder te dizer o que sinto em poucas palavras. Em frases curtas de recado, mais fáceis de se pronunciar. Mas essa forma de objetividade – que tenho, mas que perto de ti se esvai no espaço – me parece pobre para te dizer aquilo que realmente sinto.

Eu te conheci trazido pelo vento. E como folha de outono, me deixei levar. Apenas fechei os olhos e me permiti ser envolvida pelo calmo ar de tua intempestividade.

Eu te conheci numa manhã morna de primavera. Em meio ao cantar feliz e descompassado de pássaros libertos e do murmurinho muito estranho de pessoas desconhecidas.

Eu te conheci por decreto divino. Por um conjunto de forças cósmicas que fez nossos corações pulsarem no lugar certo, na hora certa e do jeito certo.

E eu me apaixonei.

Eu me apaixonei por teus gestos tão singulares e tão cheios de significado. Pelo olhar tímido de alguém desesperado. Pelo jeito enigmático que me olhaste; um jeito típico de alguém que quer entender. Pelo beijo ousado e recheado de timidez. Pela doçura mágica do teu comportamento atrapalhado. Pela inteligência simples que utilizaste no momento de me envolver. Pelo abraço reconfortante de menino desengonçado. Pela proteção que sinto quando estou perto de ti. Pelo conjunto de contradições, por fim, que te constituem e te explicam e que te fazem, a cada dia, ser mais parecido ao meu existir.