Me sinto estranha.
Tantas vezes me pego
a me questionar:
O que estou fazendo?
Mas não consigo
evitar, não consigo mudar o curso de minhas escolhas.
Vejo o sofrimento
dele.
Vejo. Sinto. E me pergunto o que fazer...
Vejo. Sinto. E me pergunto o que fazer...
Meu eu altruísta diz:
console-o!
Conforme-se e
abstenha-se dessas emoções.
Dê a ele o que lhe
pede.
Esteja com ele,
fique ao seu lado, conforte-o.
Altruísmo de
coração.
Meu eu racional diz:
voe, passarinho, voe!
Tu não controlas os
sentimentos do outro…
O único poder que
tens nesta vida é aquele sobre teus próprios sentimentos.
Que garantias tens
que tua abnegação trará a ele a felicidade?
A única felicidade
que podes garantir é a tua.
Meu eu altruísta replica:
há de pagar caro pelo egoísmo que cultiva!
Nenhum sofrimento
passa impune pelas regras dessa vida.
Console-o e
conforme-se.
Os compromissos que
você assumiu no passado não somem ao seu desejo…
Meu eu racional insiste:
voe, passarinho, voe mais alto!
Descubra esse mundo
de emoções que te foi negado!
Entrega-te aos
prazeres que possas sentir!
E sinta-os com toda
intensidade que tua intempestividade te permita.
Meu eu altruísta não cala: abnegue-se!
Faça suas as
lágrimas do rosto dele.
Você é forte! Já
conhece a fórmula do viver melhor.
Tantas vezes já
morreu. Na mesma quantidade, reviveu.
Meu eu racional não desiste:
a vida é tão curta para ser desperdiçada…
Por que tu não tens
o direito de ser apenas tu neste mundo?
Esqueça o futuro,
ele não te pertence. Esqueça o passado, ele não pode ser
modificado.
Pense no hoje, sinta
o agora, feche teus olhos e deixa-te aos ventos do mar…
Tantas vozes.
Tantas vozes.
Tantos sentimentos.
Apenas um caminho a seguir...
Apenas um caminho a seguir...

