Não é pela beleza
Não é por paixão
Não é por amor
Tampouco tesão
É por sua presteza
Por pura submissão
Gueixa moderna
Submissa e externa
Se deixa usar
Sem compaixão.
Amor próprio não
tem
Se tivesse não
ficaria
Nem se entregaria
Sem limites ou
segurança
A um homem que
nenhuma esperança
Lhe dá no seu “bom
dia”.
Seu cheiro não o
agrada
Seu sorriso não o
prende
Sua boca não o
amarra
Sua pele ele nem
sente
Mas acredita
Louca e
descompassada
Que essa crise tão
amarga
Em breve, deixará
de ser presente.
Tão louca se
encontra
Que vive de migalhas
Fecha os olhos e
abafa
A dor e suas
lágrimas
Nesta dura traição.
Lava e engoma
Arruma a casa
Paga as contas
Organiza as favas
Dessa vexatória situação.
Não tem mais vida
Mas tem o Homem
E não percebe, a
humilhada
Que precisa é ser
amada
Ter pra si um
coração.
E não percebe, pobre coitada
E que a dignidade de uma mulher
E que a dignidade de uma mulher
É mais que ser amada
E não está no casamento
E não está no casamento
E sim no doce provento
Sem necessidade de conselho
Olhar-se no espelho
E amar tudo aquilo que ela é.
Olhar-se no espelho
E amar tudo aquilo que ela é.

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