domingo, 18 de setembro de 2016

Um brinde ao sucesso!



 Declaro hoje a vitória dos meus algozes.
Ele, com violência;
Ela, com falsidade e resiliência;
A outra, com intrigas e perseguição.
Cada qual a seu modo,
Mantendo-se fiéis ao caráter que carregam,
Podem por fim desfrutar do amargo vinho da vaidade.
Tudo se acabou.
Desnudam-se de suas armas!
Despeçam-se dessas trincheiras!
Acabou! Inês é morta...
E morta também está essa guerra.
A batalha diária de vocês, soldados, recebe hoje os louros do triunfo.
Não há mais nada que perseguir.
Não há mais ninguém a vigiar.
Envaideçam-se de sua conquista!
O objetivo fora plenamente alcançado.
As lágrimas no meu rosto são champagne em seu pódio amaldiçoado.
Meu corpo em sangue arqueja quase sem vida.
Minhas forças volatizam com as ilusões que já não tenho.
Arrancaram meu coração
Expuseram-no em praça pública.
Cada qual a seu modo me destruiu pouco a pouco.
Comemorem!
Comemorem, meu algozes, vocês podem!
Brindem o sucesso de suas investidas!
Ele teve sua vingança.
Pode finalmente ver meu sangue se esvaindo pouco a pouco
Minha morte em agonia revitaliza seu viver.
Ela tem de volta a posse indubitável de seu troféu de ouro e esmeraldas
Desfila triunfante, exibe-o amorfo ao seu lado.
Seu posto de imperatriz continua intocado.
A outra, mesquinha e asquerosa,
Por que se envolveu nesta guerra?
O que importa?!
Importante é também comemorar!
Pois sua mão foi uma das que puxou o gatilho do meu fim.
Sorriam, afinal! Brindem! 
Vocês venceram!
O ódio venceu o amor.
A ganância venceu a paixão.
A ignorância venceu o perdão.
A brutalidade venceu a racionalidade.
A perversão venceu a prosperidade.
E assim morreu a minha esperança.
E assim morreu uma flor...

Nenhum comentário: