Declaro hoje a
vitória dos meus algozes.
Ele, com violência;
Ela, com falsidade e
resiliência;
A outra, com
intrigas e perseguição.
Cada qual a seu
modo,
Mantendo-se fiéis
ao caráter que carregam,
Podem por fim
desfrutar do amargo vinho da vaidade.
Tudo se acabou.
Desnudam-se de suas
armas!
Despeçam-se dessas
trincheiras!
Acabou! Inês é
morta...
E morta também está
essa guerra.
A batalha diária de
vocês, soldados, recebe hoje os louros do triunfo.
Não há mais nada
que perseguir.
Não há mais
ninguém a vigiar.
Envaideçam-se de
sua conquista!
O objetivo fora
plenamente alcançado.
As lágrimas no meu
rosto são champagne em seu pódio amaldiçoado.
Meu corpo em sangue arqueja quase sem vida.
Minhas forças
volatizam com as ilusões que já não tenho.
Arrancaram meu
coração
Expuseram-no em
praça pública.
Cada qual a seu modo
me destruiu pouco a pouco.
Comemorem!
Comemorem, meu
algozes, vocês podem!
Brindem
o sucesso de suas investidas!
Ele teve sua
vingança.
Pode finalmente ver meu sangue se esvaindo pouco a pouco
Minha morte em agonia revitaliza seu viver.
Ela tem de volta a posse indubitável de seu troféu
de ouro e esmeraldas
Desfila triunfante,
exibe-o amorfo ao seu lado.
Seu posto de
imperatriz continua intocado.
A outra, mesquinha e
asquerosa,
Por
que se envolveu nesta guerra?
O que importa?!
O que importa?!
Importante é também comemorar!
Pois sua mão foi uma das
que puxou o gatilho do meu fim.
Sorriam, afinal! Brindem!
Vocês venceram!
Vocês venceram!
O ódio venceu o
amor.
A ganância venceu a
paixão.
A ignorância venceu
o perdão.
A brutalidade venceu a racionalidade.
A brutalidade venceu a racionalidade.
A perversão venceu
a prosperidade.
E assim morreu a
minha esperança.
E assim morreu uma
flor...

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