Eu tenho um pequeno caderno rosa com meus segredos nele
Eu tenho um estojo com uma escova de dentes
E quando eu sou um bom cachorro, às vezes eles jogam um osso para mim
Eu tenho cadarços cinzas amarrando os meus sapatos
Eu tenho aquelas velhas mãos grandes
Tenho treze canais de merda na TV para escolher
Eu tenho luz elétrica
Eu tenho sexto sentido
Eu tenho sexto sentido
Eu tenho um incrível poder de observação
E é isto o que eu sei
Quando tentei conversar ao telefone com você
E não havia ninguém em casa
Eu tenho o cabelo obrigatoriamente penteado
E as inevitáveis queimaduras de sol
Todas escondidas debaixo da minha roupa favorita
Eu tenho manchas de esmalte nas unhas
Eu tenho um anel de prata
Eu tenho um lindo violão para encostar meus restos mortais
Eu tenho olhos furiosos
E um forte desejo de voar
Mas eu não tenho aonde ir, voando.
Sim, meu amor! Quando eu peguei o telefone...
Ainda não havia ninguém em casa.
Eu tenho um par de All Star
E eu tenho raízes enfraquecidas…
Achei esse texto perdido em um backup velho e já esquecido. Escrevi isso em uma época negra da minha vida... Quando tudo parecia ser demasiado estranho. Quando nada parecia ter sentido. O amor não existia e as relações estavam ressecadas. O sol não conseguia mais esquentar esta alma esfriada pela sua própria existência insignificante.
Não sei até que ponto essas palavras (plagiadas da letra do Waters) ainda fazem (ou não) sentido para este "alguém eu" que escreve aqui hoje. Talvez por isso achei interessante (re)postar esse texto aqui... Como um registro de algo que já pensei e fui... Memória. Como algo que talvez ainda seja... Análise. Ou simplesmente como algo que não gostaria mais de ser... Alerta.

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