segunda-feira, 25 de julho de 2011

Prazer


Existe prazer sem carinho?
Prazer sem calor?
Existe prazer sem sentido?
Sem perspectiva?
Prazer na dúvida e sem fervor?

Existe prazer na inconsistência?
Prazer sem consciência?
Prazer destituído de amor?

Existe prazer sem um “querer estar junto”?
Se existe, me aponta, por favor

Porque isso me parece tão paradoxal
Um prazer frívolo e fugaz
Prazer sem pudor.

Prazer que se esvai nos primeiros raios da manhã
Sem deixar marcas para o futuro
O hoje encerrando-se no agora
Prazer vagabundo
Prazer sem demora.

Talvez essa seja a forma de prazer contemporânea
Na sociedade do relógio até o prazer engana
E se contabiliza em unidades de tempo
Já na ânsia muito louca por um novo acontecimento…

É da fugacidade desse prazer que eu fujo
E o negarei por sete vidas, sete ventos e sete noites
Porque eu quero o prazer de um amor-futuro
Para o qual não tenha que dizer adeus ao desaparecer da Lua
Que não tenha que chorar sua partida ao raiar do dia.

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