sábado, 14 de maio de 2011

um Foucault em minha vida

Quando a dor chega, talvez seja válido se fechar em copas... e se enfurecer... ou chorar, rogando pelo fim... Há quem se isole... há quem se entorpeça... há quem prefira as perversões. Eu prefiro a filosofia. 
Acredito que ao ler isso muitos praticantes em filosofia concordem, mas pensem em nomes como Schopenhauer, Nietzsche ou Deleuze. Bem, de minha parte, prefiro Michel Foucault. Por quê? Não sei bem explicar, só sei que ao mergulhar em sua obra, parece que sou dragada e levada a outra dimensão, a um espaço onde não há dor, não há medo, nem angústia; não há ninguém, não a nada, só eu, a luz e Foucault.
Tudo em Foucault admiro: sua genialidade, a novidade de sua analítica e de seus achados, seu pouco (ou nenhum) medo de arriscar, sua vontade de saber, sua arrogância de intelectual que sabe o que faz e acredita no que produziu. Se sua biografia é, por muitos, entendida como degradante, aos meus olhos só reluzem seus bons feitos e sua incrível capacidade de ir além.
Alguns devem pensar "mas que estupidez!", outros devem se interrogar "como alguém pode relaxar lendo um autor de uma produção tão dura, tão áspera e tão complexa?". Aos primeiros responderia que sim, sou estúpida, porque só quem se reconhece enquanto estúpido busca o saber. Aos segundos diria que, desde que conheci Foucault, não há um só dia que não me questione a respeito desse efeito de entorpecência que Foucault provoca em mim, mas enquanto não descubro, continuo caçando em suas entrevistas e livros a resposta da minha angústia.

2 comentários:

Jacob Jr. disse...

Shalom! Úrsula. Não há como um "ser" fique imune à genialidade provocativa que Foucault produziu> Cerro fileiras em defesa da coerência sociológica que ele construiu, uma sociedade sadia é um sociedade que resiste à crueldade imposta pelo Estado. Shalom! Shalom! Profº Jacob Jr.

úrsula disse...

e eu complementaria... pelo Estado e por aparelhos de massificação/normatização da sociedade...